quinta-feira, 29 de maio de 2008

A Lição do Fogo


À Irmandade Carpe Dien.


Há dois nos, quando voltei de uma grande viagem de moto precisei vender a minha alma, quero dizer, a minha Moto. Consequentemente, decidi me afastar discretamente dos amigos, porque me sentia como se tivesse perdido a minha principal identidade de membro da confraria .A tristeza serena e profunda que invadiu o meu coração já me fazia intuir uma longa “hibernação” e provavelmente um afastamento sem volta.Quando comentei com o amigo a minha decisão, ele não falou nada. Mais tarde, me enviou o seguinte texto, via e.mail, que gostaria de compartilhar com todos os irmãos e irmãs :

A Lição do Fogo

“Um membro de um determinado grupo, ao qual prestava serviços regularmente, sem nenhum aviso deixou de participar de suas atividades.Após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria. Ele encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor. Deduzindo a razão da visita, o homem deu as boas-vindas ao líder, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando. O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada.No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno das achas de lenha que ardiam. Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram. Cuidadosamente, selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado. Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel. O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto. Aos poucos a chama da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou-se de vez.Em pouco tempo o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada. Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos. O líder, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio do fogo.Quase que imediatamente ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele.Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse: - Obrigado, por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo. Deus lhe abençoe!” – Autor Desconhecido.


Como , muitos outros discretamente agiram e agem - cada um a sua maneira - para que o irmão e irmã temporariamente enfraquecido não perca a honra do convívio das “águias” e a sua “chama” não feneça e se apague na solidão.Assim, durante esses dois longos anos, mesmo ainda não tendo a própria moto, volta e meia ele está na estrada – nos postos de encontro, para vários destino, para participar dos Encontros de Seus Irmãos.Nas paradas do caminho, como exercício de paciência e humildade, foi levado a entender, que , mais do que máquinas poderosas e símbolos de liberdade, são principalmente distintivos para identificação mútua de homens e mulheres especiais - de elevada estirpe, têmpera de aventureiro e solidário no coração.

Aos fundadores (as), pela idéia magnífica, e tantos outros que admiro, pelo bom humor, fibra, inteligência, companhia, amizade e solidariedade; o meu sincero tributo de gratidão.


Vida Longa e Boa Fortuna aos Carpe Dien


Ensinamento extraído dos PHD ‘S

sexta-feira, 21 de setembro de 2007


Homens de Ferro

Em breve, estaremos novamente na estrada. Dentro de mais alguns poucos dias, seremos um só. Então, este antigo coração deixará de existir e no seu lugar trovejará um poderoso MOTOR, pulsando, indefinidamente, como um insaciável devorador de horizontes. Como de costume, meu corpo já abatido e maltratado será novamente blindado com as centenas de quilos de seu metal e juntos seremos algo muito maior e bem melhor do que fomos, individualmente, até que cheguemos ao final.

Com você, todos os velhos limites são extrapolados, porque posso cometer a ousadia de sonhar com muito mais intensidade e espaços infinitos. Com você, tenho o privilégio de ver perspectivas das paisagens imperceptíveis aos olhares comuns. Com você, vivencio sensações intangíveis aos não iniciados. Com você e na companhia de nossos iguais, a percussão dos motores, o sopro do vento e as cordas da chuva criam a sinfonia que enleva nossos espíritos a tangenciar a luz criativa da insanidade. Apenas nesses raros instantes, tenho a sensação de perceber, num vislumbre, o que significa realmente a palavra liberdade.

Juntos, percebemos que já não somos máquinas, meninos ou muito menos meros anciãos. Somos algo muito além das espécies, bebendo o vento e comendo as tempestades, não importando se sob a luz do Sol ou sob o manto da escuridão.

Por breves, intensos e mágicos momentos, as nossas imensas asas de grandes condores novamente se abrirão. Então, o Sol, o vento, a chuva, a lua e as estrelas nos reconhecerão como seus atávicos irmãos e seremos bons companheiros, durante toda a magnífica viagem e cada novo horizonte aberto a nossa frente será sempre e apenas mais um dos nossos infinitos destinos, a nos deslumbrar com sua inusitada paisagem.

Na véspera da partida, não dormiremos. Como lobos notívagos a espreitar a lua cheia, uivaremos de ansiedade e insônia, ameaçando o moroso claudicar do tempo. Por mais que o relógio teime em frear seus ponteiros, a hora combinada, indefectivelmente, irá badalar e nada, nada nos conterá.

Assim, como para maior eficácia da oração, o melhor momento de partir é a madrugada. Antes do Sol nascer, em diferentes dias e lugares, estaremos todos de volta à sagrada estrada e ao nos encontrarmos, nas paradas da vida, nos abraçaremos, comeremos e beberemos juntos, selando a amizade como nas antigas tribos ou como quando se reencontra um querido irmão pertencente a essa querida fraternidade.


Crônica retirada do PHD-RJ
não me recordo o nome do Autor.

Abraços a todos os Homens de Ferro,

Escreva seu Futuro com PH.